sábado, 9 de abril de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lindo texto!!

Foto por Márcia Araújo
Mea Culpa

Antônio Carlos Dayrell

Vivíamos o clima positivo da virada do ano e a República comemorava a posse da primeira mulher na presidência, e já éramos surpreendidos com a triste estatística, do número de mortes, em acidentes, nas rodovias federais e estaduais, causados pela chuva remansosa.

Era apenas o prenúncio de uma tragédia anunciada, que escolheu o alvorecer dos primeiros dias de 2011, como palco do maior desastre natural do País. A destruição provocada pelas chuvas de verão atingiu a infra-estrutura de várias cidades da região serrana do Rio de Janeiro, matando mais de 700 pessoas, inúmeros feridos, e deixando 21 mil desabrigados.

A Nação ainda se convalesce na UTI, e no mundo da bola, o futebol anuncia novas contratações, para delírio de alguns torcedores fanáticos. Ao mesmo tempo, a festa da moda desfila para um público seleto, apresentando as novas tendências para a temporada. Esta dualidade, que separa, de um lado, tragédias, e de outro, espetáculos, pode nos tornar menos sensíveis e indiferentes.

Enganam-se aqueles que pensam friamente, para não se envolver, que melhor é esquecer as marcas do passado e seguir em frente. Estes se esquecem que muita gente, depois de perder tudo na vida, somente encontram apoio e esperança na solidariedade humana.

Será que podemos nos permitir entrincheirar em nossas casas e escolher viver apenas o lado bom das coisas, enquanto miséria e tragédias estão à nossa volta? Será que teremos que esperar que as soluções sempre venham homologadas pelo poder constituído? Ou será que a solidariedade é um sentimento que aprendemos a compartilhar apenas em situações de risco?

Fato é que não podemos outorgar a ninguém nossa capacidade de agir, rir e chorar… Tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, repercute, de alguma forma, no mundo.

Onde estávamos, quando assistimos complacentes à destruição dos ecossistemas, a ocupação irregular e desordenada das margens dos rios e nas encostas das montanhas? Ou quando encontramos lixo amontoado nos bueiros ou bocas de lobo, impedindo o escoamento das águas da chuva?

Você vai me responder que sempre foi assim: quando chegou, a floresta já havia sido derrubada, as margens dos rios e as encostas já estavam habitadas, e que o lixo jogado na rua, não era seu. E você, o que fez para reverter a situação?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Consequências de um Olhar




O relógio para de repente
O mundo por algum tempo não gira
A pessoa meio que “pira”
O presente desaparece
O passado volta!
E volta pra valer,
Volta com seus sabores
Difíceis de esquecer!
Sente-se cheiro de bolo de abacaxi
Fica apurado o olfato
O forno parece estar aqui
Quantas lembranças...
Quantos momentos vividos
Quanta saudade...
E tudo parece aliança
Sem começo, meio e fim
Um sempre continuar
Desejos prontos a serem revividos
E a gente se sente revirado
De ponta a cabeça
De frente pra trás
Pelo lado avesso
Tudo isso por um simples olhar é causado.

Belô Poético 2010



































































sábado, 10 de julho de 2010

De Brumadinho a Bonfim

Foto por Márcia Araújo
No meu trajeto vou olhando a paisagem Percebo árvores de tom ferrugem Respondo aos acenos de quem nunca vi Passo por casas em ruínas Ipês amarelos colorem meu caminho Algumas flores são roxinhas Galhos retorcidos formam sombras complexas na estrada do meu pensamento. A ponte torta me causa vertigem A curva do rio me faz pensar na vida, o rio nunca é o mesmo, nem nós somos! Vejo bambuzal, milharal, curral... Capelas e cruzes a margem. Sigo observando vales e montanhas As nuvens formam figuras, pura miragem Pelas janelas abertas a poeira vermelha dança Fazendo par com cada lembrança Na estrada de chão, com suas curvas sinuosas... Passagem para um só... Aproximo-me do meu destino enfim!

Sinais


“Nos desvios de seus olhares
Encontrei minha perdição “(Guilherme Babeto)

Na sua fala, me deparei com esta bifurcação.
Na sua pele, encontrei pista escorregadia.
No seu abraço, encontrei o retorno.
A sua risada, me deixa em uma encruzilhada.
O seu toque me faz pensar em saliências.
O seu sorriso é sinal verde para continuar.
Nos seus beijos, encontrei o abismo,
No qual me joguei.