domingo, 18 de setembro de 2011



Salão do Livro/2011



Encontro com Ferreira Goulart



Traduzir-se



Uma parte de mim é todo mundo:outra parte é ninguém:fundo sem fundo.



Uma parte de mim é multidão:outra parte estranheza e solidão.



Uma parte de mim pesa, pondera:outra parte delira.



Uma parte de mimalmoça e janta:outra parte se espanta.



Uma parte de mim é permanente:outra parte se sabe de repente.



Uma parte de mim é só vertigem:outra parte,linguagem.



Traduzir uma parte na outra parte— que é uma questão de vida ou morte —será arte?

quinta-feira, 21 de julho de 2011














































































7º Belô Poético 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Foto por: Marília Brás


Roda Gigante

Roda, roda
Mas não me poda
Gira, gira
Me livra
Circula, circula
Vou ficar maluca
Move, move
Me devolve
Vai e vem
Me leve também

Não poda a felicidade

Me livra da vulnerabilidade
Me devolve meu eu
Me leve para além!

domingo, 8 de maio de 2011

SINAIS

Foto por: Márcia Araújo



“Nos desvios de seus olhares
Encontrei minha perdição “(Guilherme Babeto)

Na sua fala, me deparei com esta bifurcação.
Na sua pele, encontrei pista escorregadia.
No seu abraço, encontrei o retorno.
A sua risada, me deixa em uma encruzilhada.
O seu toque me faz pensar em saliências.
O seu sorriso é sinal verde para continuar.
Nos seus beijos, encontrei o abismo,
No qual me joguei.

sábado, 16 de abril de 2011

VOANDO

Aqui de cima tudo é diferente. Um misto de medo e fascínio! Toma conta de mim uma sensação inebriante! Luzes salpicam a escuridão. Não sei ao certo onde estou. Que cidade é aquela? Indo para o sul ou norte? Sinto que só o piloto sabe! Pássaro sem vida, e ao mesmo tempo com tantas vidas... Quantas histórias, bagagens e “bagagens” pessoais. Uns vão, outros voltam... Todos apressados... Confortáveis? Quem sabe?

sábado, 9 de abril de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lindo texto!!

Foto por Márcia Araújo
Mea Culpa

Antônio Carlos Dayrell

Vivíamos o clima positivo da virada do ano e a República comemorava a posse da primeira mulher na presidência, e já éramos surpreendidos com a triste estatística, do número de mortes, em acidentes, nas rodovias federais e estaduais, causados pela chuva remansosa.

Era apenas o prenúncio de uma tragédia anunciada, que escolheu o alvorecer dos primeiros dias de 2011, como palco do maior desastre natural do País. A destruição provocada pelas chuvas de verão atingiu a infra-estrutura de várias cidades da região serrana do Rio de Janeiro, matando mais de 700 pessoas, inúmeros feridos, e deixando 21 mil desabrigados.

A Nação ainda se convalesce na UTI, e no mundo da bola, o futebol anuncia novas contratações, para delírio de alguns torcedores fanáticos. Ao mesmo tempo, a festa da moda desfila para um público seleto, apresentando as novas tendências para a temporada. Esta dualidade, que separa, de um lado, tragédias, e de outro, espetáculos, pode nos tornar menos sensíveis e indiferentes.

Enganam-se aqueles que pensam friamente, para não se envolver, que melhor é esquecer as marcas do passado e seguir em frente. Estes se esquecem que muita gente, depois de perder tudo na vida, somente encontram apoio e esperança na solidariedade humana.

Será que podemos nos permitir entrincheirar em nossas casas e escolher viver apenas o lado bom das coisas, enquanto miséria e tragédias estão à nossa volta? Será que teremos que esperar que as soluções sempre venham homologadas pelo poder constituído? Ou será que a solidariedade é um sentimento que aprendemos a compartilhar apenas em situações de risco?

Fato é que não podemos outorgar a ninguém nossa capacidade de agir, rir e chorar… Tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, repercute, de alguma forma, no mundo.

Onde estávamos, quando assistimos complacentes à destruição dos ecossistemas, a ocupação irregular e desordenada das margens dos rios e nas encostas das montanhas? Ou quando encontramos lixo amontoado nos bueiros ou bocas de lobo, impedindo o escoamento das águas da chuva?

Você vai me responder que sempre foi assim: quando chegou, a floresta já havia sido derrubada, as margens dos rios e as encostas já estavam habitadas, e que o lixo jogado na rua, não era seu. E você, o que fez para reverter a situação?